Os últimos seis meses trouxeram uma revolução ao futebol brasileiro. Um treinador europeu, com fraco currículo no continente, chegou no Flamengo já com a temporada iniciada, e foi o suficiente para conseguir o Brasileirão, que fugia ao Rubro-Negro há 10 anos, e a 2ª Copa dos Libertadores de sua história. Os críticos foram gradualmente se silenciando.

O resultado causou uma crise de confiança nacional. Como que um treinador português, com currículo apenas em seu país (uma liga secundária na Europa), consegue esses resultados no Brasileirão?

Será o treinador brasileiro assim tão fraco?

O desconforto de muitos colegas e rivais de Jesus era fácil de entender. Ainda mais sendo um treinador português, sabendo da relação estranha que têm portugueses e brasileiros, que só é compreensível entendendo a conexão que cada brasileiro e português tem com seus próprios compatriotas, que também não é fácil.

Sempre desconfiamos da competência e credibilidade de quem está à nossa volta, é normal. O sucesso de Jesus obrigou os críticos a calarem-se, mas não trouxe respostas. Será que os treinadores brasileiros perderam o trem da evolução?

Será Jesus realmente competente?

A questão de orgulho nacional pode ser importante para “compreender a incompreensão” à volta de Jesus. O fato é que o futebol português mudou muito nas últimas décadas. Veja-se o título europeu e jogadores como Cristiano Ronaldo, Luís Figo e muito outros.

E quanto a treinadores portugueses, têm muito mais por aí além de José Mourinho. Paulo Bento no Cruzeiro não é representativo da classe. Muitos portugueses, sempre se queixando da economia de seu país, falam que Portugal devia ser tão desenvolvido na economia e na política quanto é no futebol.

A realidade é mais simples: Jorge Jesus vem sendo elogiado por seus ex-jogadores como um treinador de alto padrão há muitos anos. Sua pior decisão teria sido assinar, em 2015, pelo Sporting, um clube em grave crise. Agora, se recuperou.